27 de maio de 2013

palavras que não conheço

Infinitamente longas, constantemente esquecidas, mal pronunciadas, desconhecidas, tantas..
Não tenho jeito com as palavras, não lhes sabemos dar som nem correto significado. Violamos as palavras como quem rasga folhas de papel, como quem arranca flores pela raíz de onde vem toda a força da Terra. 
Desconheço-me por não querer mais, por ficar por aqui e afirmar que jamais avançarei. Hoje apenas conheço uma palavra. Medo. Repito seu significado dia e noite, pois medo é a única palavra que me define e me faz duvidar do meu lugar neste mundo. 
Medo é o constante mau-estar. É acordar porque me obrigam, e levantar com receio que o frio do lado de fora dos lençóis me congele a pele que envolve a minha alma. Não poder falar porque nos podem atacar com palavras mais fortes, que nos destroem em frações de frações de segundos. Não arriscar porque me posso magoar. Não olhar teus olhos porque vai doer mais do que qualquer batimento de um coração de asas metálicas. Não fazer nada, não avançar, não me mexer, porque qualquer movimento vai estar errado, vai ser julgado. Julgado por palavras que saem de bocas grandes, que gritam coisas feias à criança que ainda sou. Bocas grandes que fazem os meus olhos transbordarem o meu medo infinito em forma de lágrimas, lágrimas estas que têm medo também, medo de serem vistas por qualquer um, medo de serem descobertas por entre as ruas do meu rosto, cansadas e velhas. Medo, até do meu próprio anjo. Anjo. Meu anjo.

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