15 de março de 2015

para além do nome que te dei

Não tens noção do quanto me pesas no pensamento. No quão presente estás e me apagas de tudo o que me rodeia. Quero que me peses nos braços. Quero explicar-te o que eu não percebo, porque sempre foi assim. De todas as minhas linhas incompletas, tu amarrava-las e cosia-las às tuas, resolvendo assim mais uma ponta solta de tudo o que eu conhecia.
És parte da minha consciência porque tens a resposta a todas as minhas linhas. Só tu decifras o que ninguém de mim conhece. De cada linha que te entrego, facilmente a coses nas tuas veias, e todas as tuas pulsações são as minhas. Tudo o que te puxa, leva-me contigo, reanimando-me cada parte do corpo aos poucos. Cada linha, cada átomo.
E agora caí. E sem querer (mesmo sem noção, sem querer nada disto), rompi o tão pouco que nos ligava. O tão pouco que muito aguentava. E agora, no chão, não há maneira de te conseguir chamar. Já não me lembro do teu nome, não consigo que voltes a olhar para mim e me levantes. Não consigo nada em relação a ti. Porque as minhas linhas estão soltas outra vez e já não é do teu sangue que vivo. 

Fevereiro 2015

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