29 de maio de 2013

um certo instante

Corri. Fui encontrar um refúgio. Refúgio esse tão longe de mim. Esse lugar tão longe onde a distancia não chega a tempo de acertar o relógio. Onde as flores nascem de livros e as palavras são caladas pelo poderoso silêncio do teu coração, tão pequeno, parado. Eu até podia gritar aqui.. Mas matavas-me a tiro de caçadeira. Escandaloso fim para alguém que apenas é sangue na barriga do mosquito. Isso é demasiado para alguém como eu. Pessoas como eu (se existissem) não merecem mortes dessas sangrentas, pessoas como eu morrem com o cair do Sol no horizonte, nada de mais. Pessoas como eu vivem em caixas de fósforos vazias.. São feitas de pó e de cada brisa que a Lua deixa escapar é mais uma morte, é a morte do cego a gritar de alma desvairada pela rajada de palavrões estapafúrdios que os mais cegos gritam ainda mais alto. 
Ai! Que é tanta a dor com que me deixas..

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