Está tudo a voltar ao mesmo. Algo negro está a crescer dentro de mim e a sugar a minha atenção para um mundo escuro e imaginário que ao longo do tempo se torna cada vez mais real.
Voltei a reconhecer melhor os cheiros. Não sei porquê, quando estou neste estado fico mais sensível em vários aspectos, um deles: o olfacto. Por mais estúpido que pareça consigo reconhecer muita coisa pelos cheiros, e não só, consigo também lembrar-me de muita coisa. Cheiros são memórias.
Acho que o mau-estar constante também voltou. Sinto-me fraca fisicamente, cansada psicologicamente. À medida que ando os meus passos tornam-se cada vez mais lentos e pesados, mais fracos, abatidos. O meu coração tem um bater inconstante, ora acelera, ora desacelera, ora bate, ora não bate, ora pára.
Quando olho para ti é o fim do mundo. É a fome no mundo. É a falta de água. É o Sol mais longe e a Lua desaparecida. É o mar parado. É a terra infértil. É o choro da alegria. É a alegria do pecado. É um sorriso do diabo. É uma alma perdida, vadia. Sou eu, morta.
Que posso mais dizer? Deixaste de ser poesia! Deixaste que os teus versos se tornassem massudos e escuros. Deixaste que a tua melodia apodrecesse aos olhos de todos. Deixaste que eu voltasse a cair. Obrigaste-me a cair no chão. A senti-lo contra mim. A sentir que é tão frio e rude como tu. És chão. E é neste momento que me sinto superior a ti, sei que te posso pisar. Mas num entanto, estou fraca. Roubaste-me a força e não me a devolves.
Estou fraca.
Vou cair.
Apanha-me, só.
Não me magoes mais.
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