04 de Fevereiro
É desumana a força que me prende a ti. Mesmo embarcando noutra vida, sei que vais estar presente, sei que vou continuar a pensar em nós. Por mais que tente, por mais que me esforce o meu norte vai estar sempre virado para o teu sul, mesmo sabendo que o teu sul não está virado para o meu norte.
Consigo sentir os teus olhos. Sinto o teu olhar atravessar-me o corpo e penetrar-me a alma, acabando por ma apagar e deixar-me nua por baixo da carne que me define viva.
Quem sou eu se me fazes duvidar da minha existência? Que devo eu fazer quando me roubas o coração pela segunda vez e mo recusas devolver? Onde devo eu embarcar agora? Que navio pode levar este corpo tão vazio, sem alma nem coração, mas tão pesado da dor que transporta no fundo? Que devo eu fazer depois de ter sido cuspida novamente (...)?
É desumana a força que me prende a ti. É horrível ter parado aqui, na velha casa do desespero. É sufocante quando atravessas o meu pensamento. Há sentimentos que vão para além da dor, e eu agora sei quais são. Um deles é a dúvida. Outro, a ardente e asfixiante paixão. É difícil suportá-los todos os dias, principalmente porque a cada dia que passa todos eles se reproduzem, multiplicando-se infinitamente até criarem toneladas de dor dentro de mim.
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