Há uma janela aberta... Aquela que estava sempre fechada. Aquela que eu fechava sempre que alguém a abria. Aquela que eu fechava para impedir que me vissem ou sentissem a minha presença. mantinha-me dentro para ninguém me ouvir. Para chorar sozinha e guardar a minha dor só lá dentro. A dor que fez com que uma parte de mim morresse.
Eu tenho saudades dessa parte, ela completava-me. Ela era uma parte importante, essencial... Era eu. Era o que eu era. Ela era tudo de mim, uma parte de mim. Era aquela que ria constantemente, com ou sem motivo. Aquela que se não estivesse a sorrir durante uma nesga de segundo já era um crime. Aquela que se sentia bem. Aquela que acreditava em que estava neste mundo por algum motivo. Aquela que achava que tinha sonhos, mas que era tudo uma enorme fantasia que a levaram a desistir.
Ela agora tem medo, mais do que nunca. Não tem objetivos... Não consegue pensar no futuro. Eu tenho medo, não tenho objetivos, não consigo pensar no futuro. Vivo o passado, estou presa a ele por um campo de forças bem firme, que não me deixa viver o presente a pensar no futuro.
Posso ser ainda muito nova, mas o meu passado é tão grande... Lembro-me de tão pouca coisa, mas são coisas que me fazem chorar sempre, porque sei que não as posso voltar a ter. Isso custa-me tanto. Não puder voltar a ter aquilo que me fazia mais feliz.
Agora tenho de ir em busca de novas coisas, mas, que coisas? O que é que me vai fazer mais feliz do que o que tudo o que passou pela minha vida e foi embora já fez por mim?
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